terça-feira, 15 de dezembro de 2009

LUTANDO CONTRA AS MIRAGENS

LUTANDO CONTRA AS MIRAGENS
(V. R.)

Tenho mais coragem que juízo.
Os moinhos que eu persigo
São miragens num deserto
Que poucos os vêem
Poucos os reconhecem
Poucos vagueiam por aqui....
Mas ando por aí
Com minha lança em punho
Sangrando as ilusões
Arrancando as cabeças da ignorância
Gritando a altos brados
Num cais apinhado de gente
Pedindo por socorro
Querendo fugir
Querendo ir nem sabem pra onde
Querendo saltar nem sabem por quê
Sem ter como viajar:
_ Vão!
_ Saltem!
_Tenham coragem.Vocês vão sobreviver!
.
Berro perguntas que são renegadas:
Querem um barco?
Querem uma religião?
Querem um deus para adorar?
Querem santos para ajudá-los?
Querem espíritos para trabalhar pra vocês?
Mas e vocês?
São o que?
Onde está a vossa força?
.
E corro para uma cidade
E corro pra outra dimensão
E também lá vejo cegueira
Vejo o medo nos olhos
Também vejo a dor da separação.
Sento no deserto e choro....
Luto sozinha?
Porque não ouço outras vozes?
.
Mas paro
Fico em silencio
E aos poucos
Ao longe
Vejo mais guerreiros se aproximarem....
Seus corpos têm outra textura
Suas aparências podem ser diferentes
Mas a batalha é a mesma:
A busca pela verdade..............................................................

sábado, 5 de dezembro de 2009

..."Meu mundo se resume a palavras que me perfuram, a canções que me comovem, a paixões que já nem lembro, a perguntas sem respostas, a respostas que não me servem, à constante perseguição do que ainda não sei. Meu mundo se resume ao encontro do que é terra e fogo dentro de mim, onde não me enxergo, mas me sinto."
Martha Medeiros

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Poema em linha reta

Poema em linha reta
Fernando Pessoa(Álvaro de Campos)


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,

Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?

Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?


Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!

E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?

Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

sábado, 12 de setembro de 2009

Às vezes mais...

Duas de mim, às vezes 3...ou mais,
Me diversifico ,
Tem horas que grito ,
Mostro ao mundo minha dor ,
Outras horas, só mostro o amor ,
Sou assim...,
Carente e quente... ,
Apaixonada e inconseqüente ,
Quando menos me percebo ,
Me transformo em outra mulher... ,
Cheia de reservas ,
Coberta de sutilezas ,
Séria e sem defesa ,
Em seguida me transformo em mulher fatal... ,
Aí sou dona do mundo ,
Segura e destemida ,
Altiva e atrevida ,
Rasgo meus segredos ,
Conto o que ninguém tem coragem de contar ,
Explico detalhes que é bom nem lembrar ,
Sou assim... ,
Várias em mim ,
Por dentro um tormento ,
No rosto nenhum sofrimento ,
No corpo uma explosão de prazer ,
Nos olhos, deixo meu desejo perceber ,
Melhor nem me conhecer ,
Fique com meus segredos ou medos...,
Na vida real sou bem mais complicada ,
Sou diversas mulheres...,
Quem tentou, descobriu... ,
E quem esteve nele nunca
Viver ao meu lado é viver dentro de um campo minado ,
Prestes a explodir ,mais quis fugir...